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Travessias Contemporâneas ao Sul do Atlântico

Travessias Contemporâneas ao Sul do Atlântico se apresenta especialmente como uma forma de se incorporar às atividades em torno da 11a Bienal do Mercosul, propiciando uma exposição paralela ao grande evento. Travessias Contemporâneas ao Sul do Atlântico propõe-se como forma de divulgação da produção local e reporta-se ao tema da 11a Bienal, O Triângulo Atlântico, O qual busca "lançar um olhar sobre o triângulo que, há mais de 500 anos, interliga os destinos da América, da África e da Europa" (Curador Alfons Hug, conforme site da 11a Bienal do Mercosul).

Para nós, esta aproximação com o tema vem na ideia das travessias, mas no sentido de cruzamentos entre produções da arte atual gaúcha, este território fronteiro ao sul do Oceano Atlântico, sempre pronto a olhar para o mundo, e na arte, principalmente, por meio não só da Bienal do Mercosul, mas pelo constante, abnegado e qualificado trabalho dos artistas do Rio Grande do Sul. Entre os expositores, temos dois artistas falecidos são homenageados. J. Altair (João Altair Barros, 1934-2013), este carioca que radicou-se no Rio Grande do Sul talvez O mais notável expoente de nossa produção dita naife, ou melhor chamá-lo de artista popular, pois sua arte surgiu no seio do povo e para ele sempre foi dirigida. Sua conexão com a Bienal do Mercosul se dá por seu trabalho quase que exclusivamente abordar a sua realidade de religioso do Candomblé, ligando-se assim a artistas brasileiros e estrangei ros que na Bienal enfocam este universo de diversas maneiras e linguagens, como a fotografia, a pintura e O objeto. A pelotense Magliani (Maria Lídia dos Santos Magliani, 1946-2012), tal qual J. Altair, de origem absolutamente humilde, é considerada a primeira negra formada em Artes Plásticas pela UFRGS, em 1967. Magliani atuou em Porto Alegre, São Paulo, e, finalmente, no Rio de Janeiro. Deixou uma produção rica e multifacetada, em pintura, dese nho, escultura, gravura, ilustrações e cenografia, entre os melhores artistas de sua geração.

Os convidados são artistas atuantes no Brasil e no exterior, a partir de suas vidas e produções realizadas em Porto Alegre. Dirnei Prates, Irene Santos, Leandro Machado, Marcos Porto, Paulo Chimendes, Renato Garcia e Rommulo Vieira Conceição comungam e cruzam certas linguagens e alguns interesses comuns; artistas que criam seus próprios universos, conectando- se ou opondo-se a situações e problemas que a arte do presente ou mesmo a situação atual nos apresenta.

José Francisco Alves - Curador

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